Foi-se o tempo em que ter uma babá era uma opção. Agora, para algumas famílias, está virando obrigação, assim como ter um plano de saúde. É questão de sobrevivência. E para algumas mães, realmente!
Não ter a babá pode causar um transtorno familiar, principalmemte quando ela não conta com a ajuda do marido. A cada dia, o pai tem participado mais, quer cuidar, dividir tarefas, além de ser um provedor financeiro, mas ainda estamos em uma fase de transição.
Alguns ainda fazem favores e quando percebemos incentivamos esse comportamento: ?Amor, faz um favor pra mim? Dá banho no Pedro?? Por que ?por favor??
Porque está claro para a maioria dos casais que a obrigação é da mãe. Para poder almoçar sossegada no clube, a mãe não sai de casa sem a babá. Se não, será ela quem andará atrás dos filhos enquanto o pai joga tênis, por exemplo.
Não vamos esquecer, porém, que há a mãe que quer que o pai ajude, participe, mas o desvalida o tempo todo: ?Você faz muita sujeira quando dá o almoço para o Pedro! Olha aí a fralda que você colocou! Vazou?
Para salvar essas famílias, chegou o produto do momento: a babá.
Pode dormir até a hora que quiser, pode sair a hora que quiser, pode ir ao clube e passar horas almoçando, pois nada vai incomodar.
O problema atual, porém, não é ter a babá e sim delegar todas as tarefas de cuidado à ela. Tê-la o tempo todo por perto, acomoda. Se temos quem faça, não vamos levantar para fazer. E a criança tem, o tempo todo também, alguém para serví-la, o que certamente a acomoda e pode atrapalhar no desenvolvimento da independência, da autonomia. O que fazer?
Os pais precisam ficar atentos. Devem dizer à babá o que a criança já pode fazer sozinha, sem a ajuda dela. Deve pedir para que a babá a incentive a fazer pequenas tarefas, como se vestir sozinha, mesmo que estejam morrendo de pressa. Para os pais é questão de se policiar e pensar que não querem dizer daqui há alguns anos, que não viram as crianças crescerem. Dar banho não é trabalho para serviçais, apesar de ser uma tarefa de limpeza. Essa é uma responsabilidade dos pais. É um momento para formar um vínculo afetivo, pois tem o toque, as "cosquinhas", muitas risadas perdidas para quem não se envolve nessa tarefa.
Por que a criança corre para a babá quando ela e a mãe vão buscá-la na escola? Por questão de sobrevivência!
A criança se sente segura com quem a alimenta, higieniza, brinca. É quem está ali a maior parte do tempo.
Mas a mãe trabalha? Sim, trabalha, mas ao chegar em casa TEM que assumir a criança. A mãe acabou de chegar, também quer ter o seu tempo, descansar, mas que pena, não vai dar! Tem alguém ali que ainda espera uma atenção, então é importante pensar que é uma fase puxada, mas escolhida por nós! Então tenha um filho só, no máximo dois. Como essa mãe pode ter 3, 4? Não pode depois dizer que está cansada, sozinha, pois é óbvio que quanto mais filhos temos, mais tarefas teremos.
Para a mãe que trabalha fora de casa, existe o final de semana para assumir as atividades. Deixe para ter a folguista apenas quando realmente tiver um evento, precisar muito de uma ajuda. Os pais precisam aproveitar o final de semana para assumir as tarefas de cuidado. São alguns dos anos mais cansativos, mas que certamente valem a pena!
Um dia eles crescem e desaparecem e ao ver os álbuns de fotos, os pais podem se deparar com uma cena triste. Ou não há fotos de momentos de cuidado como banho, troca de fralda, hora de cortar a unha, vestindo o uniforme, escovando os dentes, entre outros ou só há fotos da babá nessas atividades.
A babá deve ser o apoio. Ela arruma tudo para o banho, a mãe dá o banho. Ela faz a comida, deixa pronta sobre a mesa, mas o pai alimenta. E a mãe escova os dentes. E o pai reveza no final de semana sem babá: no sábado ele levanta, no domingo, a mãe levanta. Você morreu de rir agora? Sempre foi assim na minha casa, portanto é possível resgatar o pai e a mãe que cuidam.
Roberta Palermo
Terapeuta Familiar
Autora do livro: Babá/Mãe Manual de Instruções




